Gerações da EaD

Primeira Geração

Desde o início dos tempos, a comunicação esteve presente na evolução humana. A arte rupestre foi apenas um prenúncio do que viria acontecer.

Na Antiguidade, o desenvolvimento das civilizações Egípcia, Grega e Romana suscitou o aparecimento da escrita, como uma necessidade de se fazer registros. Data desta época a primeira escola de ensino superior no mundo Ocidental, a Academia fundada por Platão. Observa-se, a partir de então, um crescimento na civilização que anseia por saber. Contudo, é somente entre os séculos XVIII e XIX, muito depois do aparecimento da imprensa, que o conhecimento atinge grandes escalas mundiais. Importa ressaltar que o maior contributo dado à educação, veio no período pós-revolução industrial e francesa. As correspondências a partir de então, já não visavam apenas à troca de informações; as pessoas estavam desejosas por se instruir. Era preciso criar mecanismos que facilitassem o saber. Foi então que se começou a pensar numa forma de educar à distância, e, através de anúncios postados em jornais se deu a criação do conceito de Educação à Distância, a EaD.
Em 1728 “A Gazeta de Boston” publicou um anúncio em que disponibilizava material para os interessados em ensino por correspondência. Em 1833 um jornal sueco, na edição de nº 30, comunicava a mudança de endereço para remessas postais de composição por correspondência. No mesmo ano, na Suécia, surgiu o primeiro curso de EaD, trazendo ao público o ensino de contabilidade.

Entretanto, é considerável o contributo do inglês Isaac Pitman por volta de 1840, quando desenvolve o sistema de taquigrafia, e, com este, passa a fazer intercâmbio postal com seus alunos. Inicia-se aqui uma nova era, um marco na história da educação.

[Topo]


Segunda Geração

Nessa época, o Ensino à distância era direcionado para os meios de comunicação, como por exemplo: rádio, televisão e telefone. Não havia contato direto com o professor, como ocorre atualmente. A relação aluno-aluno era inexistente, pois os meios eram usados de forma individual; e a relação aluno-professor era pouco freqüente.

A partir da década de 30 o rádio penetra com maior facilidade do que as outras mídias para alunos de EaD.
Nesse período, houve também a criação do Projeto Minerva, que foi um programa de rádio brasileiro que tinha por objetivo a educação de pessoas adultas: todos os estados eram obrigados a transmitir este programa. Basicamente, teve um período de duração entre setembro/1970 e dezembro/1971, contudo não obteve resultados positivos, devido à flutuação de matrícula e evasão durante o curso.

Universidade Aberta (UA)

A Universidade Aberta, como já nos remete o nome, é uma universidade sem requisitos de entrada que se originou na Inglaterra em 1969, onde a EaD também entrava como fator participativo. Um exemplo disso é o Instituto Padre Réus.

Tele-ensino e Telecurso

O tele-ensino acontecia de acordo com as aulas feitas pela rede televisiva, era um ensino especial para jovens que não tinham a oportunidade de cursar um ensino regular com predominância em abordagens curriculares no 1° e 2° grau. Já o telecurso iniciou-se com o segundo grau e mantinha exibições na TV Cultura(6h30 e 7h15) e na Rede Globo(5h30).

[Topo]


Terceira Geração

Em 1985 houve um encontro de 600 delegados de 52 países para definir os parâmetros da EaD na chamada Conferência Internacional do Conselho para Educação a Distância. Nesse encontro, discutiu-se principalmente:

  • O uso de tecnologia na EaD.
  • As vantagens do aprendizado individual.
  • A união do processo tradicional com o de educação à distância através da integração da EaD com outras áreas de ensino dentro da Universidade e da utilização dos aspectos positivos da EaD para melhorar a qualidade do padrão das aulas tradicionais.
  • A relutância do governo em criar novas instituições
  • A relutância dos professores de ensinar por EaD.
  • O custo para aplicação de software durante as aulas.
  • A maior flexibilidade na aplicação de novos métodos de ensino.
  • O maior interesse dos estudantes pela EaD

Esse encontro, que permitiu que se repensasse a educação à distância, somado ao desenvolvimento das tecnologias de informação e de comunicação, fez com que surgisse uma terceira geração de EaD.

O uso do computador na EaD maximizou sua potencialidade, pois tornou a educação mais acessível, aprimorou a relação professor aluno e proporcionou mais autonomia ao estudante, que podia ler o material de ensino de forma aleatória e fazer escolhas dos meios e ferramentas que utilizaria. Dessa forma, a interação, característica predominante do ensino tradicional era mantida e, ao mesmo tempo, as vantagens proporcionadas pela educação à distância também, como por exemplo, a independência e a possibilidade de aprender em qualquer parte do globo, a qualquer hora.

Outras características importantes da terceira geração são:

  • O conteúdo e os materiais ministrados na terceira geração são maleáveis e tem como fim promover a interação de modo que o aluno se engaje nas tarefas propostas e seja capaz de criar e tomar decisões sozinho, além de ser capaz de dar sentido àquilo que está aprendendo.
  • As principais ferramentas de ensino eram: o cd room, a televisão (ex: telecurso 2000), e-mail (para dar feedback ao aluno) e o Software educativo.
  • É na terceira geração que surgem as Universidades abertas de EaD.

No entanto, o ensino a distância também apresentava problemas. Nesta geração, onde a interação acontecia ainda muito mais pela modalidade escrita, a comunicação tendia a ser mais reflexiva se comparada à comunicação oral que acontece em sala de aula, que é imediata e espontânea. Para Keegan, pensador da educação à distância, uma não é superior à outra, elas apenas servem a objetivos diferentes.

[Topo]


Quarta Geração

A maior parte das Instituições de Ensino Superior brasileiras mobilizou-se para a EaD com o uso de novas tecnologias da comunicação e da informação somente na década de 1990. Em 1994, teve início a expansão da Internet no ambiente universitário. Dois anos depois, surgiu a primeira legislação específica para educação à distância no ensino superior, em que foram definidas as diretrizes políticas para esta modalidade, pelo Ministério da Educação e Desportos – MEC que criou o Sistema Nacional de Educação à distância – SINEAD, juntamente com Instituto Interuniversitário de Educação Continuada e à Distância – BRASILEAD.

E-Learning

A quarta geração de ensino à distância é caracterizada, portanto, pelo e-learning, ou seja, a aprendizagem em rede. Nesta modalidade de aprendizagem, iniciada em 1994, a relação entre aluno e professor ocorre por intermédio de uma nova tecnologia, o computador. Ocasionalmente, podem ocorrer aulas presenciais para a realização de provas ou entrega de trabalhos, mas acontece fundamentalmente com professores e alunos se relacionando através das tecnologias de comunicação, como a internet.

No e-learning, as etapas de ensino são pré-programadas, divididas em módulos e são utilizados diversos recursos como o e-mail, textos e imagens digitalizadas, salas de bate-papo, links para fontes externas de informações, vídeos e teleconferências, entre outras. O e-learning serve a públicos de vários perfis, desde jovens de classe alta que buscam formação por meio dessa ferramenta que lhes é tão familiar, a internet, até adultos já graduados, que buscam atualizar seus conhecimentos ou mesmo diversificá-los.

Muitas são as críticas direcionadas ao Ensino a Distância, devido aos preconceitos com relação à coordenação do curso. No entanto, a interação entre professor e aluno é dinâmica, contínua e contextualizada. Deve ocorrer interação entre professor – aluno, e a interação aluno – aluno, caracterizando o que se denomina aprendizado colaborativo e cooperativo, que envolve o aspecto social da educação. Professor e aluno são os autores no processo de construção do conhecimento.

O método de EaD com base no e-learning traz diversas vantagens, especialmente agora, durante o período da Sociedade da Informação. São eles: a massividade espacial, em que o aluno pode estudar de qualquer lugar, desde que tenha um computador em mãos; menor custo, o que facilita o acesso aos cursos de graduação à população com menor renda financeira; diversificação da população escolar, pois alunos de diversos perfis e diferentes interesses podem interagir através dos fóruns proporcionados pelos professores, por exemplo: autodisciplina de estudo, em que o aluno precisa criar regras para que possa cumprir as tarefas necessárias; individualização da aprendizagem, pois o aluno acaba tornando-se autodidata ao aprender a estudar sem a presença constante do professor.

O e-learning é, portanto, uma modalidade da educação à distância utilizada até os dias atuais, para os cursos de educação fundamental de jovens e adultos, ensino médio, educação profissional de nível técnico, graduação e pós-graduação.

[Topo]


Quinta Geração

O principal marco da 5ª Geração do Ensino à Distância no Brasil foi a Portaria Federal n. 4.059, de 10 de dezembro de 2004, que se diferenciou por trazer modificações, pela primeira vez, também na educação presencial. Mais conhecida como Portaria dos 20%, permitiu às instituições de ensino superior o oferecimento de disciplinas na modalidade semi-presencial, e ganhou o apelido devido a limitação desta oferta a 20% da carga horária total do curso.

A modalidade semi-presencial pode ser caracterizada como: quaisquer atividades didáticas, módulos ou unidades de ensino-aprendizagem centrados na auto-aprendizagem e com mediação de recursos didáticos organizados em diferentes suportes de informação que utilizem tecnologias de comunicação remota.

Com a Portaria dos 20%, as duas formas de educação – presencial e à distância –aproximaram-se, deixando assim comprovada a possibilidade de comunicação entre ambas.

As principais características da 5ª Geração são a flexibilidade e a inteligência no modelo de aprendizagem e na utilização de suas principais ferramentas: a multimídia interativa on-line; a internet – através dos recursos WWW (World Wide Web); e o sistema de respostas automáticas do computador. Suas tecnologias de distribuição caracterizam-se pela utilização de materiais altamente refinados e pela interatividade; além de possuir baixo custo institucional.

O maior problema da Portaria dos 20% é a desvirtuação de sua intenção, por parte de instituições de ensino não idôneas, que a utilizam apenas como estratégia de redução de custos, sem visar suas vantagens e oportunidades concretas.

[Topo]


Sexta Geração

Second Life

Refere-se a uma vida paralela à vida principal, simulando a vida real em 3D. Com o Second Life é possível interagir com pessoas do mundo todo, além de transferir algumas situações vivenciadas no software para o mundo real. O usuário cria seu avatar (personagem). Os cenários se modificam em tempo real à medida que os usuários interagem com o ambiente.

O Second Life foi lançado em 2003 pela empresa americana Linden Lab (com sede em São Francisco, Califórnia, nos Estados Unidos) e desenvolvido pelo físico americano Philip Rosedale. No Brasil, foi lançado oficialmente em 23 de abril de 2007.O Second Life permite uma modalidade interativa de comunicação, onde:

  • MENSAGEM: modificável, em mutação, na medida em que responde às solicitações daquele que a manipula.
  • EMISSOR: “designer de software”, constrói uma rede (não uma rota) e define um conjunto de territórios a explorar; ele não oferece uma história a ouvir, mas um conjunto intrincado (labirinto) de territórios abertos a navegação e dispostos a interferências, a modificações.
  • RECEPTOR: “usuário”, manipula a mensagem como co-autor, co-criador, verdadeiro conceptor.

O uso do Second Life como ambiente de aprendizagem pode ser compreendido neste sentido mais amplo, como uso de games em educação. Independente de o programa ser considerado um jogo ou não, ele possibilita experiências pedagógicas com grau de interatividade similar ao que se obtém com o uso de games em educação. E permite, assim como exige, designs instrucionais criativos e inovadores para EaD.

[Topo]